[Resenha] Festa no Covil - Juan Pablo Villalobos

18 de abril de 2012

Título: Festa no Covil
Autor: Juan Pablo Villalobos
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 96
Ano: 2012
Mais informações: Skoob
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História de aquisição do livro: Ganhei esse livro em uma promoção no 'Viaje na Leitura'. Muito obrigada, Thaís! =)

Sinopse: O romance de estreia de Juan Pablo Villalobos é surpreendente em muitos sentidos. Breve e incisivo ao revelar a face mais violenta da realidade (não apenas)mexicana sob uma ótica insólita, entra no cânone da narcoliteratura sem ceder aos tiques próprios do subgênero. Em 'Festa no Covil', a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico , Yolcault, ou "El Rey" é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num "palácio" sem saber a verdade sobre o pai, reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê. Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor, um escritor fracassado egresso da esquerda.

"O jogo é de perguntas e respostas. Um fala uma quantidade de tiros e uma parte do corpo, e o outro responde: vivo, cadáver ou diagnóstico reservado.
- Um tiro no coração.
- Cadáver.
- Trinta tiros na unha do dedo mindinho do pé esquerdo.
- Vivo.
- Três tiros no pâncreas.
- Diagnóstico reservado."
(página 14)

Sórdido, nefasto, pulcro, patético e fulminante. Não, não são palavras que descrevem o livro, são apenas palavras muito utilizadas pelo garoto precoce, que vive em um ambiente nada convencional,  lê o dicionário antes de dormir, e que mesmo assim, se permite ter sonhos de criança (e desejar ardentemente um hipopótamo anão da Libéria).

Tochtli vive no México, em um palácio, e sabe que tem muito dinheiro. Filho de um traficante, tem pouca convivência com outras pessoas. Pelas suas contas, conhece no total umas 13 ou 14 pessoas, possui horários de estudos, de brincar e quase nunca sai de casa para interagir, o que dirá ter amizade com garotos da sua idade. O pai, Yolcault, não permite que ele o chame por esse nome, e não é muito presente em sua vida.

O grande trunfo desse livro é mostrar contrastes: ao mesmo tempo em que Tochtli é apenas uma criança, ele narra todos os acontecimentos ao seu redor mesclando fantasia com observações brilhantes para um garoto da sua idade, tendo acesso à morte, cadáveres e armas desde muito cedo. O pai tenta preservá-lo do mundo enquanto, simultaneamente, dá a entender que o prepara para a vida que o espera, como herdeiro de seus ‘negócios’.

Além disso, a falta de uma presença feminina contribui para a personalidade já forte e meio fria do garoto, ele foi ensinado desde cedo a não demonstrar sentimentos, a não chorar para não ser tachado de maricas. Mesmo assim, as características que demonstram que estamos diante da narrativa de apenas um menino saltam aos olhos do leitor a todo momento, quando nos deparamos com a extravagante coleção de chapéus que ele gosta de usar, ou com o desejo de andar apenas de roupão pelo palácio, simulando um samurai.

O romance de estreia de Villalobos chega a ser exótico pra mim, fora do que estou acostumada a ler. O livro tem apenas 96 páginas, sendo que de história mesmo, não passam de 80. Porém, em poucas palavras, o autor conseguiu demonstrar em sua obra, uma fantasia não convencional. Fica bastante evidente que o personagem Tochtli é fruto do meio que vive, já possui traços de um sociopata e usa o tom de deboche na narrativa do seu dia-a-dia. Com certeza, Festa no Covil é uma leitura recomendada: inesquecível, violenta e que Tochtli não classificaria como patética.
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16 comentários :

  1. Já li outras resenhas sobre esse livro, mas ele não me atraiu. Eu olho para a capa e lembro de circo, não sei pq mas lembro.

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  2. Livro exótico :O
    É bom pra quebrar o gelo das leituras clichês, com certeza õ/ achei-o bem diferente também, e a capa, no mínimo, interessante :)

    Beijão
    papeldeumlivro.blogspot.com.br

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  3. Eu tinha visto essa capa esses dias mais não tinha lido nenhuma resenha. Parece uma história interessante e realmente diferente do que eu leio, mais gostei da forma como a historia é narrada.

    Beijos

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  4. Hã?!
    Até agora estou pensando assim?
    HÃ?!
    O que ele (autor) quis passar de verdade?

    Bjs

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  5. Achei a resenha bem interessante, pela capa e nome não pensaria em uma história assim.

    Lygia fiz a minha primeira promoção lá no bloguinho, sinta-se convidada.
    Bjos

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  6. O livro parece ser incrível, quer dizer a ideia do autor soa incrível para mim, ao mesmo tempo que a leitura me deixaria chocada, e enojada com o que é feito com esta criança. Ao que ela é exposta, e no que ela provavelmente se tornará.
    Fiquei bastante curiosa, mas de certa forma por refletir a uma realidade tão atual acho que acabaria se tornando uma leitura muito pesada.
    Quando você estiver perto de conseguir viver novamente, rs, eu provavelmente vou te encher de perguntas sobre este livro.
    Beijos.

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  7. Segundo resenha que leio desse livro em uma semana. Eu não sabia muito sobre o que é a história, mas parece ser interessante. E eu admiro muito autores que em poucas palavras conseguem dizer muitas coisas.

    Gabi

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  8. Oi Ly!
    Nossa! Nem sei por onde começar, foram vários os pontos que me surpreenderam nessa resenha!
    Logo no seu primeiro parágrafo, já deu pra perceber a presença dos contrastes na história, que parece ser densa ao mesmo tempo que contem pinceladas mais leves e fantasiosas.
    E a história pareceu tão profunda que fiquei chocada ao ver que são apenas 90 páginas!
    Fiquei bem interessada em ler e adorei sua resenha!
    Beijão!

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  9. Amo livros curtos mas cheios de profundidade e significados, é bom para a gente perceber que não precisa de 500 páginas para arrebatar um leitor. Acho que vou amar o livro tanto quanto amo o título.

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  10. Louco para ler o livro, Ly!
    Comecei a "folhear" na livraria e adorei! A escrita, a história, tudo... Fiquei muito tentado a comprar (preço não colaborou!)
    Adorei a forma como você descreveu o garoto.
    Com a sua resenha (ótima, aliás) fiquei com ainda mais vontade de ler o livro!
    Beijão!

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  11. Daniela B. Alcântara20 de abril de 2012 01:34

    Interessante esta resenha. Gostei exatamente por ser diferente dos estilos de livros que leio. É bom ser diversificar nisso um pouco, fica chato ler as mesmas coisas. Procurarei esses livros nas livrarias :D

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  12. Nossa, Lygia, eu nunca li um livro mexicano e nem um livro que em se trate de tráfico de drogas. Num primeiro momento, não me atraiu não, mas sua resenha me deixou interessada. Gosto dessas coisas contrastantes.

    Beijos,
    Celle
    Três Lápis

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  13. Oi Lygia

    Nossa vou pensar em algumas das suas observações :) que passaram batido por mim ou vi de outra maneira, por isso é tão boa essa troca de ideias. Agora fica a dúvida de quem vai ser esse garoto no futuro...

    Amei a resenha!

    Bjuss

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  14. Tá aí um livro que quero muito ler.
    Estão falando muito dele e a cia das letras normalmente tem livros muito bons.
    Obrigada pela resenha! :)

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  15. Quero MUITO ler esse livro desde que lançou, só me falta coragem para comprar um livro tão fininho xD Mas o que conta é a história e não o tamanho dela, certo? Enfim, adorei sua resenha! Minha única experiência com livro com esse tema de tráfico de drogas foi com Classe A, de Cherub, mas o livro teve um tom mais infantil.
    Tochtli parece um personagem interessantíssimo e os contrastes que você disse que o livro apresenta parecem ser ainda mais... Já estou começando a ver preços ;s hahahaha beijos!

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  16. Eu vou ler hoje já estou com ele aqui e estou com altas expectativas
    Um beijo, te espero no blog
    ⋙ ♥ Blog livros com café

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